QUAIS SÃO AS VANTAGENS E DESVANTAGENS PARA A ENGORDA DO GADO EM CONFINAMENTO OU PASTO ?

Antes de mais nada precisamos entender as diferenças entre engorda de Gado em confinamento e engorda de Gado em pasto.


O QUE E ENGORDA EM CONFINAMENTO ?


Através do sistema de engorda em confinamento podem ser alimentados em confinamento bezerros desmamados (recria-engorda), novilhos e novilhas em recria, bois magros, garrotes e vacas boiadeiras (de descarte). A recria-engorda em confinamento pode produzir um animal jovem e acabado, dito "novilho precoce". Vacas boiadeiras, em boa condição e bom estado sanitário, respondem bem à engorda em confinamento, pois são animais adultos com baixa exigência nutricional relativamente a outras categorias.


Contudo, é mais freqüente a utilização de novilhos recriados para a engorda em confinamento. O importante é que, após o confinamento, os animais apresentem condições de abate, uma vez que não é recomendável que animais confinados retornem às pastagens.

A terminação em confinamento depende de:


fonte de animais para terminação;

fonte de alimentos; e

preços e mercado para o gado confinado.

A partir disso, podem ser enumeradas como condições básicas para a adoção do sistema de engorda em confinamento, o que segue: - disponibilidade de alimentos em quantidade e proporções adequadas; - disponibilidade de animais com potencial para ganho de peso; e - gerência (planejamento e controle). Qualquer uma dessas condições quando não atendida provocará prejuízos ao produtor.


Vantagens do confinamento

A técnica de confinamento apresenta muitas vantagens, e aqui vamos destacar 3 delas:


Aumento da eficiência produtiva do rebanho:

Os animais têm uma capacidade de engorda maior e mais rápida se comparados aos criados soltos, cuja alimentação depende majoritariamente do pasto.


Redução de custos:

Com o sistema de confinamento, a idade de término do gado é reduzida, e assim também os custos referentes ao tempo de manutenção do animal.


Diversidade de cultivo:

Graças à utilização de um espaço delimitado dentro da propriedade rural, o confinamento permite que os demais espaços da propriedade sejam utilizados para cultivos diversos – inclusive para as culturas necessárias à produção de ração e volumosos fornecidos aos animais confinados.


O número de bovinos engordados pelo sistema de confinamento subiu 1,6% neste ano. Parece pouco, mas o setor comemora porque 2021 foi difícil. A previsão para 2022 é melhor: deve ficar 5% acima das 6,5 milhões de cabeças deste ano. A previsão é dos responsáveis pelo Censo de Confinamento da empresa do setor de agro DSM.


O gado confinado é criado em locais fechados, com ração mais controlada. O boi no pasto fica solto e pode comer tanto a grama quanto a ração. O tipo de alimento interfere na qualidade da carne. Em geral, produtores de confinamento, dizem que a carne do sistema é melhor, mas estudos mostram que isso não acontece necessariamente. Os bois confinados são minoria no Brasil (cerca de 10% da produção).


Os produtores veem um cenário otimista para a pecuária de corte em 2022, com preços mais baixos de grãos como milho e soja usados na comida do gado. Neste ano, esses e outros custos de produção, como os dos bezerros para reposição, dispararam.


Pecuaristas e analistas esperam ainda condições climáticas favoráveis a partir de janeiro. Eles lembram que a seca prejudicou pastos, confinamentos e lavouras pelo país.


O ânimo é atribuído também ao retorno da China às compras de carne bovina brasileira, anunciado na quarta-feira (14). A suspensão das importações pelo país asiático, em setembro, fez a cotação da arroba cair e levou à freada nos abates por parte dos frigoríficos.


Mas também há desafios: supermercados europeus anunciaram na quinta-feira (16) a suspensão da venda de carne brasileira porque estaria vindo de áreas desmatadas ilegalmente na Amazônia.


A crise econômica e o baixo poder de compra do consumidor brasileiro são outros problemas e reduziram o consumo no país.


Mesmo com a instabilidade da pecuária em 2021, atingir 6,5 milhões de cabeças confinadas agrada o setor. Isso representa alta de 1,6% em relação aos 6,4 milhões de animais em 2020 e acompanha a evolução histórica de crescimento anual. Lembrando que os 6,4 milhões de 2021 já tinham sido um recorde.


O levantamento da DSM é bastante esperado devido à amplitude e confiabilidade. Pelo menos 600 profissionais percorrem os Estados e avaliam centenas de confinamentos.


No Brasil, está sendo um tempo de desafios para a pecuária de corte e para a engorda intensiva de gado, segundo o veterinário Hugo Cunha, gerente nacional de Confinamento da DSM e um dos profissionais que percorrem as propriedades e conferem o movimentado dia a dia.


"Nossa estimativa inicial era de uma rentabilidade de 2% a 4% ao mês para este ano. Quem fechou o primeiro giro de animais confinados, de março a maio, não conseguiu e alcançou algo ao redor de 1% ao mês", afirma Cunha. Veio o embargo da China, e as fazendas que não conseguiram reter o gado chegaram até a perder caixa.


No geral, o resultado final foi positivo, com as dificuldades surgindo, sendo enfrentadas e superadas, e levando a mudanças e adaptações no sistema intensivo.


A arroba do boi (cerca de 15 kg), por exemplo, iniciou o ano cotada a até R$ 320 para os produtos direcionados à China. Depois, em setembro/outubro, recuou a R$ 250, e a recuperação veio em novembro, quando retornou a R$ 318/R$ 320 em várias regiões produtoras.


Cunha diz que a oscilação de preços foi intensa justamente em um ano onde os custos ficaram apertados.


Foram decisivas para a rentabilidade a alta tecnologia disponível nos confinamentos, que permite o abate mais cedo do gado, e a produção de carne de alta qualidade e reconhecida internacionalmente.

Hugo Cunha, gerente nacional de Confinamento


O dono de um boitel (espécie de hotel para engorda de bois) disse que uma tonelada de ureia chegou ao patamar de R$ 5.600, o dobro do valor registrado no ano passado (leia entrevista mais abaixo).


E uma das mudanças que está ocorrendo no sistema intensivo de engorda do gado é a opção do pequeno e médio produtor por transferir seus animais para os boitéis, segundo Cunha.


Lá as tarefas de alimentar o gado nos cochos e depois vendê-lo aos frigoríficos são integralmente efetuadas pelos proprietários dos boitéis.


O Censo DSM concluiu, pela primeira vez, que os boiteis atenderam 25% dos bovinos confinados em 2021, o correspondente a 1,6 milhão de cabeças.


Mais preparados tecnologicamente e ainda com facilidade para a aquisição de insumos por causa dos vultosos volumes exigidos no trato e manejo diários, os boitéis e os grandes confinamentos estão recebendo o gado dos pequenos produtores, experiência que especialistas como Cunha acreditam ter chegado para permanecer.


Produção confinada salta 17% em SP

São Paulo é hoje o segundo maior produtor de animais em confinamento. Foram 1,122 milhão de cabeças engordadas pelo sistema neste ano, 17% a mais que em 2020.


A explicação para o salto são a presença próxima da indústria frigorífica e a facilidade para adquirir subprodutos alimentícios, como a polpa cítrica, e outros ingredientes para preparo da ração.


Mato Grosso, onde está o maior rebanho bovino do país, é o estado é líder na quantidade de animais confinados, com 1,383 milhão de cabeças.


Isso é favorecido pela profusão de lavouras como soja e milho, o que torna mais em conta a alimentação no cocho e permite bons resultados, segundo Bruno Andrade, diretor de Operações do Instituto Mato-grossense da Carne, de Cuiabá.


Andrade afirma que o investimento em tecnologia e o planejamento operacional e financeiro estão sendo fundamentais para o sistema de confinamento permanecer atrativo mesmo diante dos custos altos e da perda por três meses do mercado da China.


E, para o próximo ano, a expectativa é otimista. Ele lembra que, somente com a soja, o Brasil deve colher um novo recorde de 138,8 milhões de toneladas, alta de 3,4% em relação a 2021, segundo anunciou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).


Segundo Andrade, as expectativas otimistas para a pecuária e os confinamentos em 2022 estão sendo confirmados pela B3, a Bolsa de Valores.


O mercado futuro do boi gordo, para vencimento em janeiro e maio de 2022, segue com projeções acima dos valores cobrados no mercado físico em igual período de 2021. Para janeiro, a arroba foi cotada a R$ 326,1, segundo Andrade.


Boitel aumentou participação dos pequenos

Um boitel gigante em Rancharia (SP) e um confinamento menor em Formosa (GO) confirmam a avaliação dos especialistas sobre o movimento frenético nos confinamentos gigantes e a aflição nos pequenos.


O Boitel Chaparral, de Sergio Przeiorka, deve confinar 40 mil animais neste ano, e seu proprietário espera incrementar este volume em 10% na temporada de 2022.


Przeiorka diz que foi um ano instável e que os custos do milho, da soja e da polpa cítrica "pegaram pesado". "Somados ao problema com a China, a atividade foi prejudicada", afirma. Ele falta da melhora na cotação da arroba nos últimos meses de 2021 e que espera ainda mais no ano que vem.


Przeiorka diz que o planejamento e a tecnologia do Boitel Chaparral, que dispõe de computadores no controle da alimentação dos animais, além da qualidade e do sabor da carne produzida, propiciaram rentabilidade ao negócio.


"Aqui é produzido o boi tipo exportação, e mais de 90% da oferta é destinada ao mercado externo", afirma o produtor.


Segundo Przeiorka, as variações da pecuária em 2021 levaram ao aumento da procura pelo boitel por parte dos pequenos e médios confinadores.


Chegou a 60% o número deles. Em 2022, espero novo aumento na participação dos pequenos e médios. Acredito que eles vão trazer mais gado.

Sergio Przeiorka, do Boitel Chaparral


O pecuarista Hélio Guimarães, proprietário do Confiboi, localizado em Formosa, cidade goiana a 80 km de Brasília, confirma que os pequenos produtores foram prejudicados neste ano.


Segundo ele, os preços de milho, ureia e farelo de algodão subiram demais, e ao mesmo tempo a arroba do boi caiu.


Somente a saca de milho foi a R$ 90 contra R$ 35 de anos anteriores, diz Guimarães. Ele revela que chegou a engordar em sistema intensivo 3.000 cabeças, número que reduziu à metade.


O QUE E ENGORDA EM PASTO ?

A engorda também pode ser chamada de fase de terminação. Ao longo desse período, o gado deve atingir o peso ideal para adequar-se à comercialização no frigorífico.


Para se ter uma ideia, o ganho de peso numa pastagem (sem suplementação) é ao redor de 600 gramas por dia no verão e de até 150 gramas no inverno, em sistemas bem manejados.

O peso recomendado para abate do gado é entre 450 a 500 kg, variando conforme a raça ou cruzamento realizado. Em virtude disto, o novilho a ser terminado deve pesar cerca de 330 kg se for Nelore puro e 380 kg ou mais, se for mestiço meio sangue, por exemplo.


A definição do peso mínimo é imprescindível para que o animal obtenha o peso de abate dentro do prazo programado para a engorda a pasto que pode acontecer em 18 meses.


Existem vários métodos para alcançar os resultados desejados. No entanto, a maioria dos produtores brasileiros, principalmente os pequenos, aposta na engorda a pasto, que pode ser implementado em propriedades de qualquer tamanho.


De acordo com Valéria Pacheco Batista Euclides, pesquisadora da Embrapa Gado de Corte, a engorda a pasto é uma das responsáveis pela competitividade do Brasil no setor da pecuária, à medida que torna o custo produtivo mais barato, quando comparado ao confinamento, por exemplo, possibilitando uma lucratividade mais alta.


Fatores que influenciam na engorda a pasto

Para o sucesso da engorda a pasto, é importante que o produtor esteja atento aos diversos aspectos que podem interferir no sistema. A seguir, você encontra alguns dos principais fatores a serem considerados:


• Melhor período para iniciar a engorda a pasto: O melhor período para iniciar a engorda a pasto é o começo da época das águas, período que se inicia entre setembro e outubro e vai até março. Dessa maneira, nos demais meses os animais vão enfrentar um período maior de seca, no qual a qualidade da pastagem é menor.


• Raça ideal: Outro fator que influencia na engorda a pasto é a escolha da raça de gado ideal. Ao selecioná-la, é preciso considerar a resistência dos animais às condições da pastagem: altas temperaturas, umidade elevada e presença de parasitas.


As raças zebuínas se desenvolvem bem no sistema engorda a pasto, principalmente o Nelore, que é a raça mais difundida em todo país. Já as raças europeias não se adaptam bem ao sistema de pastagem.


• Cuidados com a pastagem: Para que a qualidade do pasto seja ideal, é preciso tomar certos cuidados, como a reposição de nutrientes e o crescimento da planta. Além disso, deve-se respeitar a capacidade de suporte do pasto, relacionada ao tamanho do lote adequado para implementar a engorda a pasto.


• Sanidade e suplementação: Fato conhecido entre a maioria dos produtores é que as pastagens não são capazes de suprir totalmente as exigências do gado. Por isso, uma suplementação adaptada às necessidades dos animais é fundamental para o sucesso da engorda a pasto.


Além disso, o planejamento sanitário deve ser bem definido para garantir a sanidade dos bovinos e evitar parasitas que possam consumir a energia e os nutrientes do gado, prejudicando o ganho de peso.


O pecuarista deve ficar atento também a alguns aspectos importantes, como respeitar o crescimento da forrageira para que a mesma possa se desenvolver adequadamente e, assim, possibilitar ganho de peso desejado ao gado. Além disso, é importante fazer uma análise de solo que vai indicar a quantidade ideal de calagem e adubação das forrageiras, visando a reposição dos nutrientes do solo.


A quantidade de animais na engorda a pasto também é um aspecto muito importante a ser considerado. Isso porque os bovinos possuem hierarquias definidas. Normalmente, 20% dos animais são mais fortes, 70% normais e 10% são mais fracos. Assim, respeitar o tamanho dos lotes por categoria, minimiza disputas. Um lote harmônico expressa melhor o potencial de ganho de peso em toda a fazenda.


Portanto, como citamos neste artigo, a engorda a pasto pode trazer ao produtor diversas vantagens, com tendência à alta lucratividade. Para isso, é necessário atenção, cuidado e conhecimento!



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