Setor de máquinas agrícolas no segundo semestre quais as perspectivas para a reta final de 2021?

Embora a pandemia tenha paralisado e prejudicado diversos segmentos, o agronegócio brasileiro felizmente não foi um deles. Aliás, não só como não foi prejudicado, como a produção da agricultura continuou crescendo. Tanto é que o mercado de máquinas no segundo semestre de 2020 cresceu bastante.

De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), as vendas no setor de máquinas e de implementos agrícolas conseguiram fechar o último ano com uma expansão de 12% a 20% de aumento em relação ao ano de 2019, e com faturamento total de R$ 20,5 bilhões.


Já segundo os dados divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), foi apontado que as vendas de máquinas agrícolas e rodoviárias do país também registraram um progresso de quase 30% somente durante o mês de novembro — na ponta do fim de ano —, com a venda de mais de 4 mil unidades de máquinas voltadas para as lavouras, áreas de plantação, agricultura e pecuária.


Números tão expressivos não eram vistos no segmento desde 2017, o que foi considerado outra grande vitória para a indústria do agronegócio, que já estava enfrentando o caos da pandemia causada pelo vírus da Covid-19 dificultando diversos setores em todas as partes do mundo.


Um dos braços da Abimaq, a Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas (CSMIA) disse que os bons números da safra agrícola são um resultado conjunto dos recordes das exportações do agronegócio somados à valorização do dólar em um pouco mais de 30%. A rentabilidade dos agricultores foi ainda maior daqueles que atuaram na exportação das culturas de milho, laranja, café, carne, celulose, soja, entre outras.


Com o rendimento em alta, os agricultores aproveitaram os ganhos a mais para aumentar a área plantada e investir, claro. As principais aquisições foram implementos agrícolas e novas máquinas. E é assim que podemos começar a explicar a explosão da venda de máquinas mesmo diante a um cenário tão inexplicável, como o da pandemia.


Segundo pesquisas, anteriormente, por volta de 50% das máquinas agrícolas em uso no Brasil possuíam mais de 10 anos de uso. Para o dirigente da Abimaq, a comercialização de mais modelos é um ponto positivo para todo o segmento agrícola, pois, com elas, os agricultores poderiam extrair o “o melhor das áreas de plantação”.


No final do ano passado, momento em que o dirigente deu a entrevista, um dos cenários também analisado foi o vindouro 2021. Segundo ele, a pandemia causada pela Covid-19, que ainda estava com muitos desafios pela frente, não só logísticos, como também em termos de produção, a serem lidados no mundo inteiro, e tinham de ser administrados corretamente.


O mercado de máquinas agrícolas nos três primeiros meses de 2021

As previsões não decepcionaram de forma alguma. Pelo contrário, conseguiram até superar as expectativas, e o segmento de máquinas e implementos agrícolas começou o ano de 2021 pegando fogo — no bom sentido, claro.


De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na sua pesquisa industrial mensal (PIM-PF), o primeiro trimestre deste ano registrou alta na sua produção física de 40,3% em relação ao valor registrado nos três primeiros meses de 2020. E a produtividade nos campos vem sendo ainda mais estimulada por conta de três distintos fatores: recorde da nova safra, da desvalorização da nossa moeda e da alta do preço dos commodities.


Já conforme a Abimaq apurou, o faturamento com a venda dos equipamentos agrícolas cresceu 62% no primeiro trimestre deste ano, saltando de R$ 4,5 bilhões (valor obtido durante o primeiro trimestre do ano de 2020) para R$ 7,3 bilhões. Esse quadro de recuperação teve início no final do segundo trimestre de 2020, que se manteve nos meses subsequentes. Assim, o setor, ainda durante o ano passado, registrou alta de 6,3% em comparação ao ano anterior.


A indústria nacional, como um todo, somente no mês de março, cresceu em torno de 63% comparado com o mês de março em 2020. Essa “alta” deverá impactar o faturamento no final de 2021, estimado, atualmente, por volta de 20% maior que o faturamento visto no final de 2020, conforme Pedro Estevão Bastos, presidente da CSMIA.